A presidente eleita, Dilma Rousseff, concluiu a composição ministerial. Abaixo está disposta a lista, por partido, com alguns comentários sobre a base de apoio dos/as ministros/as.
É provável que alguns dos indicados ou afilhados de Lula saiam na primeira reforma ministerial. Normalmente, ela ocorre entre o primeiro e o segundo ano de mandato presidencial, especialmente devido a jogos políticos determinados pelas eleições municipais.
A lista, como não poderia deixar de ser, é do ministério da presidente Dilma... mas que também acaba sendo um ministério do presidente Lula.
Composição
Em resumo, o PT lidera a ocupação da Esplanada, com 15 ministérios. As principais pastas, especialmente em termos de tomada de decisão política e orçamentária, são controladas por petistas. Não poderia ser diferente.
Em seguida vem o PMDB. O "principal 'aliado'" queria 8 pastas, mas teve que se contentar com 6. Também teve que engolir Nelson Jobim, indicado e mantido por Lula, que na prática teve sua “cota pessoal” na composição da Esplanada. O PMDB indicaria qualquer um para a Defesa, menos Nelson Jobim...
Fato importante: o PMDB perdeu em indicações para o grupo dos “sem filiação partidária”. O grupo conta com 8 ministérios, mas em geral conforma um conjunto composto por gestores afinados com o petismo. Isso pode custar caro, mas não deixa de ser um fato interessante... Demonstra que a presidente Dilma considerou, além das pressões partidárias e de Lula, aspectos técnicos.
O PSB conquistou 2 ministérios, o que é aparentemente uma incoerência. Foi o partido que mais cresceu nas eleições 2010, tornando-se uma (ou a principal!) potência no nordeste brasileiro. Foi o PSB quem enfrentou e encerrou a histórica hegemonia do PFL-DEM na região.
Já PR, PP, PDT e PCdoB possuem apenas 1 ministério.
O Governo Dilma está pronto para começar, mas é impressionante a influência de Lula. Honestamente, poderia ter sido diferente?
Lista dos ministérios por partido
PT – ordem alfabética por nome de ministro/a:
Alexandre Padilha (Saúde)
Alozio Mercadante (Ciência e Tecnologia)
Antonio Palocci (Casa Civil) - ministro de extrema confiança da presidente Dilma
Fernando Haddad (Educação) - cota do presidente Lula
Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio)
Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) - indicação do presidente Lula, mas com forte apoio do PT.
Guido Mantega (Fazenda) - indicação do presidente Lula, mas com forte apoio do PT.
Ideli Salvatti (Pesca)
José Eduardo Cardozo (Justiça) - ministro de extrema confiança da presidente Dilma
Luiz Sérgio (Secretaria de Relações Institucionais)
Luiza Bairros (Igualdade Racial)
Maria do Rosário (Direitos Humanos)
Miriam Belchior (Planejamento) - ministra de extrema confiança da presidente Dilma
Paulo Bernardo (Comunicações)
Tereza Campelo (Desenvolvimento Social)
Sem filiação partidária - ordem alfabética por nome de ministro/a:
Alexandre Tombini (Banco Central)
Helena Chagas (Comunicação Social)
Antonio Patriota (Relações Exteriores)
Izabella Teixeira (Meio Ambiente)
Ana de Hollanda (Cultura) - uma incógnita, aparentemente a base de apoio são setores da indústria cultural.
Luís Inácio Lucena Adams (Advocacia-Geral da União)
Jorge Hage (Controladoria-Geral da União)
José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete da Segurança Institucional)
PMDB - ordem alfabética por nome de ministro/a:
Edson Lobão (Minas e Energia)
Garibaldi Alves (Previdência)
Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos)
Nelson Jobim (Defesa) - cota do presidente Lula
Pedro Novais (Turismo)
Wagner Rossi (Agricultura)
PSB - ordem alfabética por nome de ministro/a:
Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) - era para ser Ciro, mas Ciro não quis.
Leônidas Cristiano (Portos)
PCdoB
Orlando Silva (Esporte) - indicação do PCdoB, com forte apoio do presidente Lula.
PDT
Carlos Lupi (Trabalho) - indicação do PDT, com forte apoio do presidente Lula.
PR
Alfredo Nascimento (Transportes)
PP
Mário Negromonte (Cidades)
Ciência Política, Políticas Públicas de Educação e Vida Cotidiana
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O ministério é da presidente Dilma, mas é também do presidente Lula...
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A polêmica do novo Enem
No domingo, no meio do clássico majestoso (Corinthians X São Paulo), recebi uma ligação do diário Correio Braziliense. Pediram uma avaliação minha do Enem 2010. Dei minha opinião, transformada em artigo. Fora o título - eu teria escolhido outro -, a redação ficou boa e fiel à minha opinião. Como não tenho tido muito tempo para alimentar esse blog, reproduzo abaixo o texto...
ENEM 2010 - Palavra do especialista
Correio Braziliense - 8/11/2010
Uma boa ideia mal executada*
"A nova concepção do Exame Nacional do Ensino Médio, esse Enem que pretende se tornar a principal porta de entrada para a universidade pública no Brasil, já é soberana e já conseguiu ser aceita — tanto por parte dos alunos quanto das instituições. Mas isso não vai se concretizar se erros de gestão graves como os que ocorreram na primeira edição do exame já no novo modelo, em 2009, e ocorreram novamente, na atual edição, persistirem."
"Para o fortalecimento dessa concepção vitoriosa, esses erros não podem voltar a ocorrer de forma alguma. É preciso salientar que os problemas verificados em 2009, como o vazamento de provas, são maiores que os problemas ocorridos nesta edição. Independentemente da diferença entre eles, considero ambos graves. Tais falhas, se repetidas em edições posteriores, podem derrubar a ideia de um Enem forte, baseado numa prova de raciocínio e unificada."
"É importante que nada ameace a nova concepção do Enem, porque ele representa, da forma como foi idealizado, uma boa notícia para os jovens. Facilita a construção do projeto de vida do estudante, a ideia do ingresso na universidade. O Enem também é uma estratégia interessante, não a única nem a mais importante, de fortalecer o ensino médio no Brasil — uma etapa considerada desinteressante por grande parte dos alunos em que a evasão atinge níveis recordes."
"Por tudo isso, é preciso que o governo federal se empenhe em um planejamento correto para evitar qualquer erro como os que ocorreram até aqui na aplicação do Enem. Além de provocar frustração de alunos e falta de confiança por parte das instituições, as sucessivas falhas colocam em risco esse novo Enem que pode, se bem executado, representar inúmeros benefícios a alunos, universidades e à educação brasileira de uma forma mais ampla."
* Como disse, prefiro outro título: "A concepção do novo Enem precisa ser preservada". É mais fiel à minha opinião.
ENEM 2010 - Palavra do especialista
Correio Braziliense - 8/11/2010
Uma boa ideia mal executada*
"A nova concepção do Exame Nacional do Ensino Médio, esse Enem que pretende se tornar a principal porta de entrada para a universidade pública no Brasil, já é soberana e já conseguiu ser aceita — tanto por parte dos alunos quanto das instituições. Mas isso não vai se concretizar se erros de gestão graves como os que ocorreram na primeira edição do exame já no novo modelo, em 2009, e ocorreram novamente, na atual edição, persistirem."
"Para o fortalecimento dessa concepção vitoriosa, esses erros não podem voltar a ocorrer de forma alguma. É preciso salientar que os problemas verificados em 2009, como o vazamento de provas, são maiores que os problemas ocorridos nesta edição. Independentemente da diferença entre eles, considero ambos graves. Tais falhas, se repetidas em edições posteriores, podem derrubar a ideia de um Enem forte, baseado numa prova de raciocínio e unificada."
"É importante que nada ameace a nova concepção do Enem, porque ele representa, da forma como foi idealizado, uma boa notícia para os jovens. Facilita a construção do projeto de vida do estudante, a ideia do ingresso na universidade. O Enem também é uma estratégia interessante, não a única nem a mais importante, de fortalecer o ensino médio no Brasil — uma etapa considerada desinteressante por grande parte dos alunos em que a evasão atinge níveis recordes."
"Por tudo isso, é preciso que o governo federal se empenhe em um planejamento correto para evitar qualquer erro como os que ocorreram até aqui na aplicação do Enem. Além de provocar frustração de alunos e falta de confiança por parte das instituições, as sucessivas falhas colocam em risco esse novo Enem que pode, se bem executado, representar inúmeros benefícios a alunos, universidades e à educação brasileira de uma forma mais ampla."
* Como disse, prefiro outro título: "A concepção do novo Enem precisa ser preservada". É mais fiel à minha opinião.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O “Dia do Professor” em meio à desvalorização do magistério
| Hoje, dia 15 de outubro, é o “Dia do Professor”. E em termos bastante práticos e honestos deveria ser também denominado como o “Dia da Educação”. Trata-se de um fato inquestionável: não há educação de qualidade sem bons e motivados educadoras e educadores nas salas de aula, nas escolas e em todo o sistema de ensino. Contudo, no tocante a essa certeza, o Estado brasileiro porta-se como um organismo esquizofrênico e contraditório. Embora a sociedade entenda a valorização da carreira do magistério como uma prioridade urgente, a Lei 11.738/2008 - que regulamenta o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica - ainda não foi efetivada. Mesmo aprovada quase por unanimidade no Congresso Nacional, a Lei do Piso teve alguns de seus pontos fundamentais suspensos no Supremo Tribunal Federal. Isso se deu graças a um questionamento promovido pelos governadores dos estados do Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ainda assim, mesmo desconsiderando os pontos suspensos, muitas redes municipais e estaduais ainda não implementaram a Lei do Piso. Como uma resposta a esse equívoco, hoje, no Dia do Professor, um grupo de 27 organizações, do qual a Campanha Nacional pelo Direito à Educação participa, composto por 25 entidades membros da Comissão Organizadora da Conae (Conferência Nacional de Educação), somadas a 2 organismos internacionais (Unesco e Unicef), entregarão a “Carta-compromisso pela garantia do direito à educação de qualidade” aos presidenciáveis (saiba detalhes da entrega). No âmbito da valorização dos profissionais da educação o manifesto é incisivo, cobra de forma veemente - entre outras ações -, a implementação da seguinte macro-política: “Implementação de ações concretas para a valorização dos profissionais da Educação: os futuros governantes e parlamentares, nos âmbitos federal, estadual e distrital, em parceria com seus equivalentes municipais, devem implementar de forma integral e imediata a Lei 11.738/2008, que determina o Piso Salarial Profissional Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação Básica. Complementarmente, até o ano de 2014, os mesmos devem produzir leis e políticas públicas capazes de estabelecer Planos de Carreira e Remuneração que tornem a educação uma área valorizada e atrativa profissionalmente.” Educação é uma política pública marcadamente sensível. Todos os países que decidiram colocar a questão da valorização dos profissionais da educação no centro de suas prioridades políticas e orçamentárias obtiveram ganhos impressionantes e quase imediatos. A qualidade educacional oferecida aos seus cidadãos melhorou de forma rápida e consistente e, com ela, os seus índices de desenvolvimento social e econômico tiveram forte incremento. O Estado brasileiro, caso deseje cumprir com seu papel constitucional - que está em plena consonância com os anseios da sociedade - deve evitar os falsos atalhos e investir no caminho certo: garantir que a carreira do magistério seja bem remunerada e atrativa, motivando os professores que hoje estão nas salas de aula pelo Brasil afora, mas também atraindo para as escolas os melhores estudantes das melhores universidades. A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, composta por milhares de estudantes, ex-alunos, professores, familiares e profissionais que atuam ou atuaram em escolas públicas, mantém-se firme em seu compromisso de lutar pela justa valorização da carreira do magistério. E vai além: crê que a chave para a universalização do acesso à educação de qualidade no Brasil passa, necessariamente, pela valorização não só dos professores, mas de todos os profissionais da educação, considerando todos aqueles que atuam em estabelecimentos públicos, como também aqueles que trabalham em unidades escolares privadas. Trabalhamos e trabalharemos todos os dias para que no futuro o “Dia do Professor”, transformado em “Dia da Educação”, permaneça sendo um momento de luta, mas que seja antes um dia de festa. Pois, no dia 15 de outubro de 2010, permanecemos lutando, perseverantemente. E assim permaneceremos. |
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Observatório da Equidade estabelece canais de comunicação com a sociedade
Boa notícia!
Em seu quarto ano de funcionamento, o Observatório da Equidade do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) incluiu as mídias sociais como ferramentas de disseminação dos materiais concebidos pelo órgão.
Vale ressaltar: desde 2006 o Observatório da Equidade mantém-se firme na observação cuidadosa e crítica dos efeitos da política tributária e da política educacional na redução das gritantes desigualdades brasileiras.
Os meios de interação eletrônica com o órgão são:
Twitter:
Observatório da Equidade: www.twitter.com/equidade_cdes
CDES: www.twitter.com/cdes_brasil
Sites:
www.cdes.gov.br/observatoriodaequidade
www.cdes.gov.br
Email: cdes@planalto.gov.br
Aproveitem!
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Parabéns "Campanha Nacional pelo Direito à Educação" pelos seus 11 anos de luta!
Dia 05 de outubro é o Dia Mundial do Professor.
E hoje, no dia 05 de outubro de 2010, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação completa 11 anos!
É mais de uma década de luta pela consagração do direito à educação pública de qualidade para todos os brasileiros e todas as brasileiras.
Saúdo a todas as "campanheiras" e a todos os "campanheiros", que como eu, tramam esse rede pelo Brasil. Foi em conjunto que escrevemos as lindas páginas de nossa história. E ela se entrelaça com as mais belas páginas da luta pela efetivação do direito humano à educação no Brasil, na América Latina, nos países lusófonos e no mundo...
Como coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação agradeço com alegria a todos os parceiros e todas as parceiras que apóiam nossa rede. Meu muito obrigado por acreditarem em um movimento aguerrido, corajoso e perseverante como o nosso.
Vamos em frente!
E hoje, no dia 05 de outubro de 2010, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação completa 11 anos!
É mais de uma década de luta pela consagração do direito à educação pública de qualidade para todos os brasileiros e todas as brasileiras.
Saúdo a todas as "campanheiras" e a todos os "campanheiros", que como eu, tramam esse rede pelo Brasil. Foi em conjunto que escrevemos as lindas páginas de nossa história. E ela se entrelaça com as mais belas páginas da luta pela efetivação do direito humano à educação no Brasil, na América Latina, nos países lusófonos e no mundo...
Como coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação agradeço com alegria a todos os parceiros e todas as parceiras que apóiam nossa rede. Meu muito obrigado por acreditarem em um movimento aguerrido, corajoso e perseverante como o nosso.
Vamos em frente!
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